Imagem gentilmente furtada da Casa do Zé Carlos (link ao lado)Numa linda manhã de agosto dei à luz um spam. E parece que a luz gostou demais do spam que lhe dei. A concepção deu-se num sofá diante da TV, local que muitos acreditam ter sido abandonado pelo pensamento crítico. Pois foi bem ali que me surgiu com cabeça, corpo e membros “O Vendedor de Palavras”, inspirado em uma entrevista de Nélida Piñon.
A criança cresceu, tomou corpo e viaja o Brasil de norte a sul. Até chegou a Portugal. Já ajudou a levar sol a fins-de-semana chuvosos, ilustrou aulas de português, alimentou debates em turmas de graduação em Comunicação Social, fez ler gente que não gosta das letras e ainda dá muitas flores e frutos mundo afora.
Há um forte vírus por trás das palavras que contagia de coisas boas quem o recebe. Algo bem mais poderoso do que os spams de trojans, vírus destrutivos, publicidade indesejada e mensagens negativas. Que se proliferem os microorganismos da felicidade incubados nas letras para “esclarecer de qual combustão a paixão é feita, para que a vista lhe escureça de repente e as palavras tenham febre*”.
Um febril abraço a todos, em especial aos leitores cujos e-mails ainda não consegui responder,
Fábio Reynol
* artigo “Conhece-te a ti mesmo”, Nélida Piñon.