14 novembro 2007

Carta de Devolução da Corte

Terceiro Mundo, novembro de 2007.

Ao
Exmo. Sr.
Portugal

Península Ibérica, nº2
Europa

Assunto: Devolução da Corte Portuguesa


Querido Portugal,


Com imensa euforia, comunico-lhe que no próximo 2008 completar-se-ão duzentos anos que sua corte se afixou cá em nossas terras, completando assim o prazo máximo de hospedagem neste hotel tropical. Por esse motivo, no fim deste ano, lhe enviaremos de volta seus descendentes diretos (não os de sangue, mas os sanguessugas) que hoje atendem em Brasília.

Qual craca em popa de caravela, esse pessoal há dois séculos se apega aos palácios e até hoje teima em tentar nos governar, justamente a nós, um povo avesso às leis, injustiçado pela própria Justiça e desgovernado por natureza. Nada pessoal contra os governantes, juízes e legisladores, é que somos altamente alérgicos a eles. Toda vez que uma nova trupe sobe as rampas do Planalto e do Congresso, milhares de nós acabam morrendo em epidemias de fome, de violência e até de falta de esgoto.

Além do mais, Napoleão hoje atende em Washington, converteu-se ao Criacionismo de Guerras e perscruta cada quartinho de empregada deste planeta. Portanto, não há razões para que a "nobreza" continue a se esconder por aqui. Entendemos também que, a esta altura da história, a corte não pode mais ser considerada portuguesa; no entanto, a observar suas atitudes, tampouco pode ser chamada de brasileira. Assim sendo, despacharemos a comitiva real-republicana tão logo encontremos uma frota de aviões com o reversor travado grande o suficiente para abrigar a superprodução de corruptos made in Brazil.

Aqui vão alguns conselhos de quem está acostumado a lidar com esses nobres: não os alimente, não os remunere e o mais importante: não os deixe criar leis, eles vão tentar inventar impostos provisórios de duração eterna. Se tiverem acesso ao poder, vão sugar a sua energia a ponto de deixá-lo no escuro e ainda vão dizer na maior cara-de-pau que foram pegos de surpresa.

À guisa de uma compensação, ainda que irrisória, deixaremos com V.Sa. a capital toda. Sentiremos falta da catedral de Niemeyer, da ponte JK e do Paranoá. Eles serão, no entanto, um preço pequeno a se pagar pela paz e pela justiça. Não se preocupe com os gastos. Brasília é patrimônio da humanidade, portanto divida a conta da manutenção com todos os humanos.

Tampouco se preocupe conosco. O brasileiro só deu certo com o desgoverno, isso lá antes dos idos de 1500. Dentro em breve retornarei à mata com meu povo, de onde nunca deveríamos ter saído, e tiraremos as roupas, as quais nunca deveríamos ter vestido. Voltaremos, enfim, a ser felizes nos preocupando apenas com a caça, a pesca e os banhos de cachoeira. Ficaremos mais tranqüilos sabendo que mesmo o Xingu de fora estaremos com o nosso curió mais protegido.

Certo de sua compreensão paterna, despeço-me com filial abraço.

Do sempre seu,

Brasil
ECOrruptos Resort

Obs. importante: Castre o chefe do Senado ou o mantenha longe das jornalistas!
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6 comentários:

Odnanref disse...

Olá Fábio Reynol,
Recebi seu e-mail. E,já sabedor da intenção, claro, assino a Carta quantas vezes necessário for. Preocupo-me apenas com os Bons Portugueses... Ensine-os a receita de Ração para Porcos... Ora pois não!

SDS, Fernando Uchôa.

Fernando Uchôa disse...

Olá Fábio Reynol,
Informado, cá assino a Carta, ora pois! Lamento apenas pelos Bons Portuguêses... O que fazer com esses Maus Brasileiros? ...Ensine-os a Receita de Ração para Porcos. Ô pá!
SDS, Fernando Uchôa.

Anônimo disse...

Assino Fábio, é certo que assino, porém , como o companheiro acima, preocupo-me com os bons portugueses. Que tal levarmos a trupe toda de navio eno meio do oceano jogarmos uma cueca recheada de dólares (falsos, evidentemente), todos pularão para pegá-la e o navio continua viagem... Assim, da praga ficamos livres, nós e eles!
bjo
Carla

Anônimo disse...

Gostaria apenas de emendar um esclarecimento do meu comentário anterior:
Não que eu deseje um pluripoliticocídio... A trupe teria alternativas de sobrevivência, poderia, por exemplo, encontrar uma ilha desabitada, ou se transformar numa espécie rara e mal cheirosa de anêmona, ou quem sabe passar uma temporada com o Bob Esponja no fundo do mar... A convivência com o universo infanfil certamente lhes faria muito bem!
bjo de novo
Carla

Anônimo disse...

Assino e repasso para todos os meus contatos!!
Outra medida seria "importar"alguns homens bombas ainda crianças, criá-los e democráticamente fazê-los tirar no par ou impar que iria finalizar a tarefa,mas como isso implicaria em tirar a vida de alguns não tão inocentes,mas ingênuos a ponto de se prestar a tal serviço!!Fico com a tua idéia.
Assino sim.JB

Bassáltamo disse...

ixi, serão que irão querer receber essas malas sem alças e sem rodinhas. mas em bsb há também os calangos do cerrado.

ass: um comprador de palavras